sábado, 15 de março de 2014

O que importa é a Libertadores, e é exatamente por importar tanto que o Carioca preocupa

Não é mesmo ano de se almejar grandes coisas no Campeonato Estadual. É ano de Libertadores após 18 anos; é ano de se ter a Libertadores do Botafogo.
 
No entanto, é exatamente por ser a Libertadores de 2014 tão importante que devemos nos preocupar com o que ocorre no Carioca: os reservas imediatos do time que disputa a competição continental mostram, jogo após jogo, reiterada e exageradamente, que, em sua maioria, não deveriam vestir a camisa do Botafogo nem nos sonhos de seus animais de estimação. Grande parte do "time B", que finge jogar futebol no Estadual, e que pode entrar em campo pela Libertadores, é uma tragédia. Ressalvas a serem feitas somente para Bolatti e Junior Cesar, e talvez para Zeballos, que acabou de chegar. Só.
 
Tomemos, portanto, cuidado ao não dar importância para o Campeonato Carioca: que se lixe o fato de não termos conseguido a classificação para a semifinal deste campeonato que, embora relevante, não merece prioridade, mas importemo-nos com o motivo da desclassificação – pífia, patética, displicente, preguiçosa e desinteressada.
 
E classificar a desclassificação como desinteressada não está em contradição com o que já foi dito: não deveríamos almejar mesmo algo grandioso no Carioca de 2014, porém deveríamos sim esperar que os "jogadores B" demonstrassem mínima vontade e capacidade para atuar no time principal. Não ocorreu.
 
O Carioca importa; não pelo Carioca, mas porque "ele" pode estar na Libertadores a qualquer momento.
 
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Vinícius Franco - @franconio
15 de março de 2014

domingo, 9 de março de 2014

O que preocupa é a (falta de) substância

Mais um jogo pelo Campeonato Carioca de 2014, mais um vexame. Após empatar com Resende, Bangu, Volta Redonda e Audax e perder para Macaé, Cabofriense e Friburguense, o Botafogo soma nova derrota no Estadual. E a fonte de revolta não está no placar, aceitável num clássico, e sim no futebol praticado — ou não praticado.

A grande questão após a vitória do Fla — que também não demonstrou um futebol vistoso ou muito eficiente — é: o que querem os reservas do Botafogo? Decerto, não é mostrar serviço, honrar suas camisas e seus salários, muito menos fazer-nos acreditar que temos suplentes dignos na Libertadores e, futuramente, no Brasileirão. Do goleiro ao centroavante, é difícil excetuar alguém da regra da displicência, da imaturidade, da covardia e da preguiça.

Embora o problema seja, portanto, geral, cabe questionar: Helton Leite conseguirá, com suas caças a borboletas, tomar a "vaga" de Renan até quando? Lucas pretende nos fazer sentir falta de Gilberto? Airton vai a campo logo após sair de um octógono? Renato ganhou alguma promoção do plano de sócio-torcedor para assistir às partidas no gramado? Daniel e Gegê são promessas de quê?

E, apesar de ter defendido Eduardo Hungaro em texto recente, começo a analisar a possibilidade de questionar: no papel, individualmente, esse time reserva não é tão ruim a ponto de nos fazer acreditar previamente que os jogos serão tão bisonhos... por que, então, não "dá liga" em jogo nenhum, com exceção daquele contra o Flu?

E na raiz de tudo, mais uma vez, não vejo algo senão a diretoria.

Que a Libertadores continue nos dando motivos para não nos preocuparmos com a mera desclassificação no Carioca. Os titulares — que até agora só brilharam no Maracanã — precisam manter nossa confiança.

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Vinícius Franco - @franconio
09 de março de 2013.

sábado, 1 de março de 2014

Hungaro tem caráter e dá a cara a tapa

No ano de 2013, eu muito reclamei de treinador que não assumia erro, nem os próprios e nem os de seus comandados, justificando maus desempenhos como algo que "simplesmente passa" — isso quando reconhecia que havia algo reprovável.

Para 2014, foi escolhido um treinador inexperiente, apesar de já ter certo tempo de casa em General Severiano. Eduardo Hungaro, em ano de Libertadores, foi (ou ainda é) visto com olhares meio atravessados por botafoguenses, como eu. Não seria (ou é) um equívoco colocar o time nas mãos de alguém que não tenha antes conduzido outro esquadrão em grandes competições? Talvez, mas os fatos têm jogado a favor de "Duda". Ao menos na minha visão.

O time vai bem na Libertadores. Apesar da derrota para o Deportivo Quito na estreia, massacrou o clube equatoriano no Maracanã. Já na fase de grupos, contra o San Lorenzo, no mesmo Estádio Jornalista Mário Filho, outra vitória consistente foi conquistada, sem chances para o atual campeão argentino (e time mais abençoado do planeta). Contra o fraco Unión Española, no Chile, nada mais que um decepcionante empate, mas, por se tratar de peleja na casa do adversário, matematicamente, não foi ruim.

Algumas críticas, no entanto, vêm se concentrando em Hungaro devido ao desempenho do Botafogo no Campeonato Carioca. Principalmente após a derrota de hoje frente ao pífio Macaé, muitos estão insatisfeitos com o desempenho do time no Estadual. Penso, todavia, que Hungaro tem agido corretamente: não se pode sacrificar o time da Libertadores, de nossa Libertadores após 18 anos, no campeonato estadual. Não importa briga por bicampeonato: a inteligência precisa ser maior que o orgulho. A Libertadores é prioridade. E Hungaro tem escalado as melhores peças entre os reservas. Se as melhores peças dentre os reservas são risíveis peças, a culpa não é do treinador.

Além disso, Hungaro, já no intervalo, hoje, colocou dois titulares (Wallyson e Ferreyra) no time, além de Lodeiro, logo depois. O time precisava jogar mais para frente; urgia que o treinador ousasse. E foi o que foi feito.

Ademais, vejo que as boas atuações do time na Libertadores, além de pelo décimo segundo jogador — nossa maravilhosa torcida —, são em grande parte devidas a Hungaro, que não comanda um time brilhante. Edilson é um lateral limitadíssimo, que só tem como grandes qualidades a raça e um potente chute; Julio Cesar às vezes é indolente; Bolívar às vezes se confunde; Marcelo Mattos é uma porta; Jorge Wagner não é ruim, e não que seja correto comparar alguém com Seedorf, mas aquele poderia ter ao menos umazinha característica de nosso último camisa 10...; Lodeiro é oscilante; Ferreyra é um dos maiores caneleiros que já vi com a camisa do Botafogo. E ainda assim vamos bem.

Em suma, apoio totalmente Hungaro no que tange a escalar os reservas no Carioca. Com o perdão do termo, mas que se dane o Estadual quando se tem uma Libertadores. Ainda assim, "Duda" dá a cara a tapa, como fez hoje após a deplorável derrota frente ao Macaé, e diz que a responsabilidade pela má colocação do time no Carioca é dele. Não é, a meu ver. Os reservas são muito limitados. Mas, ainda assim — é muito bom e divertido lembrar —, fazem rival virar pó de arroz. Hungaro foi um dos responsáveis pelos 3x0 — tirou leite de pedra.

Enfim, Hungaro dá sinais de saber lidar com limitadas peças do elenco. E tem caráter, dá a cara a tapa, mesmo quando não necessariamente precisaria.

Minha única crítica, por enquanto, é: Marcelo Mattos titular não dá mais. Principalmente quando se tem Bolatti no time. O argentino, guardadas as proporções, pode devolver ao Botafogo um pouco do que foi perdido com a saída de Seedorf: lucidez, visão, tranquilidade e qualidade no passe.

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Vinícius Franco - @franconio
01º de março de 2014

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Húngaro opta mal em noite que parecia impossível haver boas opções

Com dois dias de atraso, venho tentar falar brevemente sobre o jogo que marcou o retorno do Botafogo à Libertadores.

O resultado é sabido: derrota por 1x0. Mas mais desanimador que a derrota foi o futebol (não) apresentado. Alguns tentam justificar por ser apenas o segundo jogo da equipe titular no ano, outros pela altitude de Quito, e outros não justificam, porém também não criticam. Minha visão é que nada funcionou para o Glorioso, primeiramente, porque todos, exceto Jefferson, erravam até o próprio nome. Não se colocava a bola no chão — embora Húngaro tenha pedido —, não se acertava passes, não se dominava a bola direito (não é, Tanque?).

Não obstante o dia em que tudo era canelada no Alvinegro, acho importante também destacar a opção tática feita por Húngaro: um 4-2-1-2-1, em que o "1" do meio-de-campo era um volante — e que, no caso, não tem nenhuma aptidão para a função na qual foi escalado. Este estilo de jogo pode funcionar com Bolatti, cabeça-de-área com mais técnica e habituado a jogar como um moderno volante europeu, que faz a saída de bola muitas vezes até como um armador. Não com Gabriel, que tem qualidade técnica, mas muito mais aptidão para ser um marcador raçudo, como é.

Jogar com três volantes no jogo de quarta-feira, portanto, a meu ver, foi um erro. Todavia, a opção do recém-efetivado treinador alvinegro mostrou-se ainda mais equivocada ao persistir no erro durante muito tempo. Apenas no meio do segundo tempo Gabriel foi tirado para a entrada de Wallyson, que também não conseguiu produzir, mas ao menos é uma boa opção ofensiva. "El Tanque" Ferreyra também ia mal, e Elias deveria ter entrado mais cedo, pouco depois da volta do intervalo.

A formação tática que eu gostaria de ver no jogo de volta, no Maracanã, por conseguinte, é um 4-2-3-1, tendendo a ser um 4-2-2-2, com apenas dois volantes e, lá na frente, Wallyson em campo se aproximando de Ferreyra. É verdade, critiquei a atuação de El Tanque, que foi mesmo pífia, mas não podemos "dispensá-lo" com apenas um jogo. É um jogador que tem experiência em Libertadores e um bom currículo. Tenhamos paciência, assim como com Eduardo Húngaro, relativamente inexperiente, porém conhecedor de futebol e, principalmente, do elenco do Botafogo. Ele próprio deu a entender que pode jogar com dois atacantes no jogo de volta.

Para encerrar o papo sobre a derrota diante do Deportivo Quito, cabe cornetar sem "poréns" Edílson e Julio Cesar. Nossos dois laterais tiveram uma atuação deplorável defensiva e ofensivamente. No lateral-esquerdo tenho mais esperanças, mas fico com um pé atrás em relação ao destro. Torçamos para que Lucas se recupere logo.

E, por fim, neste domingo teremos clássico. Botafogo x Vasco. O Glorioso — a meu ver, com razão — está usando o Carioca apenas como prova para os jovens (e reservas) valores de General Severiano. Entretanto, vale a pena não dar sorte ao azar em derby. Defendo a escalação do time titular, principalmente para pegar mais ritmo de jogo do que o demonstrado em Quito. Húngaro, contudo, deve escalar time misto. Acho que é mais um erro.

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Vinícius Franco - @franconio
1º de fevereiro de 2014

domingo, 19 de janeiro de 2014

Sobre a estreia, Húngaro e enganadores

Fui ontem ao Raulino de Oliveira assistir ao fatídico e deprimente Resende x Botafogo, um jogo feio e que merecia ter como vencedora a equipe do interior fluminense. Sorte a nossa que o time deles foi tão incompetente quanto o nosso "B".

No entanto, reconheçamos: é só a primeira partida e de um time recheado de jogadores muito jovens. Falta de entrosamento e timidez são elementos esperados — embora não sirvam para eximir de culpa pelo desapontamento de quem incinerou dinheiro para ver essa pelada.

Quando cheguei em casa, pensei em escrever sobre a partida. Desisti, acreditando fazer mais sentido dormir. Não estava errado, mas ainda assim quero fazer algumas ponderações:

O time de ontem, como um todo, merece uma nota não acima de 5. Todavia, ainda merecem reforçadas críticas jogadores como Lima. O jovem lateral-esquerdo, que já havia atuado com a camisa Gloriosa — e ontem vestia a 6! Que heresia! Perdoe, Nilton! — mostrou mais uma vez que não tem qualidade para atuar nem mesmo em nosso time "W". Erra até pensamento.

Por outro lado, apesar do baixo nível geral, destaco positivamente (na medida do possível) Rodrigo Souto, que mostrou poder oferecer ao Botafogo mais do que amizade ao presidente. O volante marca muito bem, demonstrou um ótimo tempo de bola, bastante garra e também visão — foi dele o passe para Gabriel assistir Renato no primeiro gol.

Pode-se tecer alguns elogios também a Daniel, embora elogios tímidos, assim como o próprio jogador. Principalmente na primeira etapa, o jovem meia, que acabou de renovar o contrato, demonstrou muita movimentação e uma certa qualidade no passe. O que não perdurou no segundo tempo, o que acarretou sua substituição.

Vale ainda comentar a atuação de Renato. O experiente meia atuou mais à frente, cumprindo função parecida com a exercida por Seedorf (volta!), e, no quesito posicionamento, pode ganhar alguns aplausos; porém, é o mesmo Renato lento, inseguro e promissor jogador de Showbol. Marcou o primeiro gol, demonstrando ter entendido bem a importância de sua aproximação com o ataque, mas atrasou tantas outras jogadas. E é nosso reserva imediato do meio-de-campo na Libertadores! Mas sobre isso falo já já...

Embora tenha reconhecido que foi só a primeira partida e que falta de entrosamento seja algo esperado e normal, o que exime um pouco de culpa também o treinador, quero destacar minha discordância em relação à opção tática adotada por Húngaro, especialmente ao longo da partida. De fato o time, com Oswaldo, estava acostumado a jogar no 4-2-3-1; é verdade também que "Duda" havia afirmado que a formação tática dependeria das características dos jogadores à disposição, o que eu aprovo. Entretanto, Henrique não é jogador para esse esquema. Menos ainda quando se tem — e se percebe isso ao longo da partida — Renato, Gegê e Daniel não conseguindo fazer a bola chegar bem ao ataque. Renato, quando chegava à frente, era para tentar concluir, não para fazer a bola chegar ao homem de frente. Os outros dois são jovens e ainda tímidos. Não adianta jogar com três meias se a bola não chega ao ataque, principalmente por faltar um homem para fazer a ligação. Exatamente por isso, a meu ver, Húngaro errou no segundo tempo ao tirar Henrique e colocar Sassá. Deveria ter tirado Renato ou Gegê para colocar Sassá. Com isso, um dos atacantes poderia jogar mais recuado, buscando a bola e fazendo-a chegar ao outro companheiro de área, estando mais próximo deste. Mas reconheço, isso é coisa para se ajustar aos poucos. Vamos com calma. Vaias a esse time por enquanto não têm tanto fundamento. Não reprovo (ainda) a ideia de dois times, visando a Libertadores.

Para finalizar mais este testamento, mister se faz execrar a atual diretoria. No post sobre a saída de Seedorf, falei que precisávamos confiar. Mas Rafael Marques ainda não havia saído. Negativo, não considero o autor do gol do título Carioca de 2013 um craque, porém era útil ao time. E era atacante. Agora, para a Libertadores, temos apenas Ferreyra e Elias — os quais me agradam, mas são insuficientes. Temos dois centroavantes, sendo que o reserva imediato é Henrique, o mesmo que não marca há mais de 20 jogos.

Ademais, para o meio-de-campo, na armação, o time da Libertadores tem Jorge Wagner e Lodeiro, dois bons jogadores e de características distintas. Ótimo! Seria ótimo, se o reserva imediato não fosse Renato e suas características já mencionadas, sem contar os outros despreparados jovens valores.

E haviam dito que tudo estaria resolvido até o Natal. E haviam dito que a torcida teria surpresas há semanas atrás. Teve.

O que a diretoria do Botafogo quer na Libertadores? O que a diretoria do Botafogo quer em 2014? O que a diretoria do Botafogo quer com o Botafogo?

Vi Maurício Assumpção ontem no Raulino de Oliveira. Senti ojeriza.

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Vinícius Franco - @franconio
19 de janeiro de 2014.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Dia de lamentar, agradecer e confiar

Pode-se dizer que o dia 14 de janeiro de 2014 é tão marcante na história do Botafogo e de sua torcida quanto 6 de julho de 2012. Seedorf chegou, e agora sai. Um dos grandes craques da história do futebol passou e construiu tudo de positivo que se podia esperar dele — logicamente, num dos maiores clubes da história do futebol.

Hoje lamentamos. Abandona o Botafogo — e o futebol, como jogador — um raio holandês, que nem passou tão rapidamente assim, mas que abalou significativa e positivamente as bases do Glorioso. Seedorf nos orgulhou só por chegar, continuou nos enchendo os olhos com a bola nos pés e não foi diferente em sua postura — inigualável em relvados tupiniquins.

O choro — interior ou não — da torcida Gloriosa hoje é inevitável. Mas não se deve apenas chorar e deixar que a emoção nos leve, inclusive, a um estado de raiva. Não minto: a saída de Seedorf, no momento do retorno do Botafogo à Libertadores, decepciona. Se ele não seria imprescindível, ao menos, certamente, teria importância ímpar. No entanto, ele está em seu direito. Não apenas aquele frio, do papel e das cláusulas contratuais, mas na missão: aqui, a sua foi cumprida. Nos devolveu a paixão e o orgulho de torcer para, agora oficialmente, um dos maiores clubes da América. Devemos agradecer. Se ele não foi o único ou maior responsável por nosso retorno à Libertadores, com certeza foi um dos maiores.

E aqui não posso deixar de registrar um agradecimento por motivos bem particulares. Seedorf me fez ver, a

poucos metros de mim, um dos maiores jogadores da história vestindo a camisa do meu clube — um dos maiores da história. Vi gol de Seedorf. Vi assistências de gênio de Seedorf. Vi cobrança de falta de Seedorf explodindo no travessão. Vi Seedorf vendo mais que todo mundo em campo. Vi Seedorf errar pênalti. E, o principal de tudo, vi Seedorf levantando a primeira taça que vi meu time conquistar frente a frente. A vitória sobre o Fluminense e as consequentes conquistas da Taça Rio e do Campeonato Carioca de 2013 em Volta Redonda — bem como todos os outros jogos do craque que presenciei — estão e estarão eternamente em minha memória. Levemente decepcionado ou não, Seedorf é um cara do qual falarei e muito bem para meus filhos e netos. Honrou a Estrela Solitária que botou no peito e encheu nossos corações de alegria inúmeras vezes.

Sendo uma engrenagem tão importante para nosso esquadrão, é óbvio que Seedorf fará falta. Uma Libertadores com ele colocaria medo nos adversários duplamente — pelo currículo e pelo que de fato faz. No entanto, o momento não é só de chorar e agradecer. Secadas as lágrimas e passados os abraços, é hora de olhar para frente. Logo ali na esquina tem uma Libertadores nos aguardando.

Muito embora precisemos rapidamente de uma reposição para o meio-de-campo, não estamos com a armação desestruturada. Já chegou o ótimo e técnico Jorge Wagner, além de termos o rápido — embora oscilante — Lodeiro.

Agora um comentário talvez criticável, e até aparentemente contraditório. Além de termos boas peças, Seedorf, nos últimos jogos de 2013, não vinha sendo tão decisivo nas partidas mais difíceis. O Botafogo pode vencer sem ele. Embora com ele fosse bem mais fácil...

Acredito também que Nininho (também conhecido como Maurício Assumpção, o presidentista) trará uma reposição para o meio-de-campo. Talvez não tão grandiosa, claro, mas útil, ao menos. Sem contar que temos ótimos valores da base, como Daniel — em relação a quem eu aconselho a diretoria, para ontem, incluir uma multa rescisória bem gorda no contrato.

Ademais, Forlán ainda pode vir. Se chegar, as viúvas de Clarence secarão as lágrimas num segundo. Se não, conquistaremos a América mesmo sem crédito dos pseudo-botafoguenses.

Somos botafoguenses, somos supersticiosos, somos sofridos e únicos em nosso jeito de torcer, mas se tem uma coisa que Seedorf (e Loco) nos ensinou que devemos carregar é: abaixar a cabeça não é uma opção. Matemos qualquer bola no peito e o adversário que se cuide.

Que venha Quito. Que venha qualquer parte da América. A Estrela Solitária conduziu Seedorf e nos conduzirá sempre!

Obrigado, Seedorf!


Vinícius Franco - @franconio
14 de janeiro de 2014

terça-feira, 8 de outubro de 2013

A chama, embora menos flamejante, nunca se apaga

Não é mesmo fácil. Após um início de campeonato empolgante, conquistar 1 ponto em 15 disputados, sendo que 12 deles foram jogados em casa, é um balde de água fria em qualquer um. Não condeno, portanto, quem terminou as últimas duas ou três pelejas em depressão e se questionando sobre o sentido da vida – até porque ocorreu o mesmo comigo. Perder um pouco da confiança é natural, mas não torcer é antialvinegro.

Passei os últimos dois dias pensando no que escrever para este modesto espaço. Ainda não sei bem, visto que não sei bem nem mesmo o que pensar sobre nosso Glorioso. Resta-me, por conseguinte, colocar nas letras a chama que, posto que menos flamejante, permanece acesa – e sempre permanecerá.

Nosso time é o mesmo. O mesmo que chegou ao G4 e acumulou uma gordura que nos dá ao luxo de tropeçar até mesmo no lanterna do campeonato na próxima rodada. Não há, assim, motivo para desacreditar por completo no reajuste nos trilhos. O treinador também é o mesmo, embora com o coração baqueado na última partida; o mesmo que fez milagres, com o plantel perdendo uma importante peça a cada fim de semana. Se, por um lado, não há explicações claras para a queda de produção, por outro também não há para a impossibilidade de recuperação.

Ademais, não somos só nos que tropeçamos. Há um batalhão logo atrás (e bem atrás, ainda que tenhamos decepcionado cinco vezes seguidas – que mau campeonato, hein?) que também parece fazer força para ficar no meio da tabela. Com exceção de Cruzeiro, e talvez de Grêmio – que também tropeçou mas agora se recupera (por que não nós também?) –, não há nenhum outro clube com desempenho muito regular no Brasileirão 2013.

E, ainda que os argumentos racionais não sejam muitos, como considero notório o espaço de torcedor que este blog é, precisamos pensar (com o coração): se o Botafogo voltar a vencer, se firmar no G4 e, daqui a algumas rodadas, confirmar a classificação para a Libertadores, você deixará de comemorar e aplaudir o atual elenco? Não, certamente não. Não é digno, destarte, largar tudo agora, reclamar e dar as costas, chorar e dormir, tirar a camisa e não recolocá-la a cada batalha. Mais uma vez, não podemos ser covardes. Ainda que a confiança não seja a mesma, ainda que não haja grande otimismo no início de cada jogo, é impossível, para os reais botafoguenses, deixar de torcer, sofrer e vidrar os olhos no campo ou na TV aguardando algum tento. Jamais deixará, aquele que realmente tem uma Estrela batendo no lugar do coração, de sentir sua alma penetrando no relvado alheio e isolando uma ofensiva adversária quando nosso herói de cada jogo estiver em campo. Será sempre o Botafogo nosso imenso prazer, nosso sofrimento, nossa alegria, nossa tristeza, nossa saúde, nossa doença, perdendo para ninguém ou tropeçando em... ninguém, ainda que em "alguém".

Amanhã, quarta-feira, 9 de outubro de 2013, às 21:50, estarei, embora desconfiante, torcendo e empurrando com a voz e com o coração meu alvinegro, conduzido pela Estrela Solitária, rumo à Libertadores 2013. A torcida merece, o elenco merece, a comissão técnica merece... a diretoria e o departamento de futebol não, mas o Botafogo é muito maior do que meia dúzia de incompetentes.


Vinícius Franco

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Keep walking

Não teria sido tão frustrante se o Botafogo não tivesse sido tão patético nas duas partidas anteriores. Além disso, o empate diante do Fluminense mostrou também que o time, apesar de ter melhorado um pouco, continua sem dominar e ameaçar o adversário, como fazia há poucas semanas. Uma queda de produção que ainda permanece, mas que não pode servir de fator para desânimo da torcida e muito menos do time.

O que parece necessário no momento é que Oswaldo, que foi um dos principais responsáveis por chegarmos ao G4, “reinvente” a postura do time. E o que preocupa é a impressão de que o treinador Glorioso ainda não sabe muito bem como fazê-lo: ontem, contra o Flu, Gilberto foi colocado no lugar de Henrique, fazendo com que o time tivesse três laterais de ofício em campo, além de ter retirado um atacante (o outro era Rafael Marques, que até então jogava como meia ofensivo) quando precisávamos de... gol. Não sei se foi o nervosismo do jogo que bloqueou minha visão, mas até agora não entendi o objetivo da entrada de Gilberto. De nada adiantou.

Além disso, alguns jogadores fundamentais, como Seedorf, Lodeiro e Rafael Marquem, precisam também se relembrar de como chutar a gol e dar assistências – ou, no mínimo, bons passes. Nosso craque holandês até que foi bem no “Clássico Vovô”, passando bem e sendo uma cabeça lúcida no meio-de-campo, mas o uruguaio continua errando até o próprio nome, e o herói dos clássicos passa apagado ofensivamente, malgrado toda a vontade demonstrada. 

Octávio, quase no fim da peleja, entrou no lugar de Lodeiro, e perdeu uma boa oportunidade de finalizar com perigo. Entretanto, a chuva de críticas feita ontem é extremamente injusta, uma vez que o jovem meia já demonstrou ter qualidade técnica. Obviamente, Octávio precisa ser um pouco mais “malandro” e ágil, mas não dá para fazer acusações depreciativas sobre um jovem jogador que, após a partida, vai até o Twitter e pede desculpas à torcida. Caráter, respeito pela torcida e honra à camisa ele mostrou que tem, além de reconhecer seu erro. O Botafogo não venceu porque desde o início não foi criativo e nem incisivo. Se não é para apoiar, deixem o garoto em paz! Não copiemos uma torcida “coirmã” que queima seus jovens valores por eles não se revelarem salvadores em momentos ruins. Burros são os outros, não nós!

Sobre o desânimo da nossa torcida e sobre as alegações da mídia no sentido de Botafogo e Flu viverem momentos opostos no campeonato: vivemos mesmo! Eles saíram do estádio cantando, comemorando o empate, e hoje há vários tricolores uniformizados nas ruas. Nós reclamamos e estamos insatisfeitos com o resultado, preocupados com a classificação para a Libertadores. Vivemos mesmo momentos opostos! Há os que pensam grande e os de "espírito C".

A cada tropeço em time mais ou menos, como nas últimas três rodadas, cresce nossa preocupação. Mas ainda dá, ainda é possível! Restam 13 rodadas – ou seja, 39 pontos em jogo – e estamos 6 pontos à frente do primeiro time fora do G4. O Grêmio, que nos ultrapassou e agora é segundo colocado, também tropeçou algumas vezes há pouco tempo. E se recuperou, e está na vice-liderança. Por que eles sim e não nós? A pergunta não é aos outros, e sim a nós mesmos, botafoguenses: desanimar e perder a fé não é opção, não faz sentido, não faz bem, não leva a nada, não é Botafogo 2013. Se há poucas rodadas o time se recusava a entrar em crise e agora coloca tal recusa em dúvida, recusemo-nos nós! 

Para cima do Grêmio no Maracanã, sábado, às 18:30. Jogo de 6 pontos. Jogo de torcedor de verdade. Jogo do Botafogo e para botafoguense de coração. Estejamos #unidos pelo que for, até o fim!

E lembrem-se também: estamos vivos na Copa do Brasil...


Vinícius Franco

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Estrela Solitária contra as nuvens

Escrevo aqui bem esporadicamente, naquelas épocas em que sinto que muito é dito, e ao mesmo tempo muito pouco ("fala demais por não ter nada a dizer...", diria Renato Russo). Não que me ache especial ou superior, mas preciso expressar-me.

Há três rodadas, o Botafogo de Futebol e Regatas era o segundo melhor time na tabela do Campeonato Brasileiro e considerado candidato ao título. Um jogo, contra o líder, mudou a ideia de alguns: 3x0 não é qualquer coisa. Contudo, muitos ainda entenderam que era apenas uma peleja em território alheio, em que não conseguimos construir nossas trincheiras, e fomos bombardeados. Sem desespero: no primeiro turno, o mesmo time que agora nos venceu havia nos visto levar os três pontos – 2 a 1, em Volta Redonda, e eu estava presente torcendo (leia-se sofrendo – como suamos!).

Após a derrota merecida – não obstante o placar exagerado – diante do primeiro colocado, teríamos dois jogos, em tese, tranquilos. Os dois adversários – em tese e na prática – seriam fracos: Bahia, nem lá nem cá, e Ponte Preta, bem lá (embaixo). Dentro dos gramados, no entanto, os 180 minutos revelaram um Botafogo perdido, sem energia, sem gana, sem criatividade, sem futebol, sem o Botafogo dos 9 meses anteriores, sem nada. Duas derrotas em jogos que, inicialmente, nos dariam 6 pontos garantidos, o que faria com que o líder não se distanciasse como fez (11 pontos a nossa frente) e nem que nossa batalha pela vaga na Libertadores ficasse psicologicamente abalada. E diante da própria torcida.

Duros golpes, de fato. Três derrotas seguidas servem de contestação para quem briga pelo título e até mesmo pela Libertadores. Nossa visão, entretanto, apesar de justificadamente baqueada, deve recuperar-se e entender que desanimar agora é errado – emocional e matematicamente.

Há poucas rodadas, este mesmo Botafogo era conhecido como "o time que se recusa a entrar em crise". Salários atrasados, estádio saqueado, importantes peças transferidas a tabuleiros estrangeiros, enfim, inúmeros fatores que levariam qualquer co-irmão à zona de rebaixamento nos deixaram na liderança ou na cola dela, além de não ter nos impedido de levantar a taça de melhor time do Rio de Janeiro com uma folga poucas vezes vista. O time se reinventava; Oswaldo de Oliveira, ainda que após um tempo, mostrava que suas apostas sempre davam certo; tudo, ainda que no mais típico sofrimento botafoguense, dava certo. A Estrela Solitária nos conduzia à glória mesmo sob forte chuva de meteoros. Conduzia?

Nuvens parecem ter se formado sob o teto de General Severiano após as três derrotas, duas das quais patéticas sob o aspecto da postura do time. Mas será mesmo que não podemos continuar acreditando nesse time que por tantas vezes já se mostrou herói? Não podemos desafiar a tempestade que parecer estar se formando para continuarmos caminhando na estrada dos louros? Não há um facho de luz? Há, e é o mesmo que nos permitiu acumular 42 pontos, nos deixando no G4, agora na 3ª colocação (empatado com o 2º), e nos pode fazer acreditar que não há nuvens que afastem o brilho de nossa Estrela. Se para o título, não sei: o Cruzeiro abriu uma grande vantagem e demonstra uma regularidade em sua campanha apenas comparável à do Náutico. Mas nosso objetivo no início do campeonato era a Libertadores, e estamos mais do que vivos para realizá-lo.

Ademais, do que podemos chamar nossas vitórias contra Atlético Mineiro, na Copa do Brasil, após ver o nossos maior freguês abrindo 1 a 0 em pleno Maracanã? Como podemos ver a vitória sobre o Criciúma, em Santa Catarina, com gol de voleio do Elias no último minuto – aquele mesmo último minuto que tanto nos castigou? O que foi o gol de Hyuri no final do jogo contra o Corinthians, após enfiada seedórfica de Edílson?

Em suma, como devemos encarar um time que, internamente, neste ano apanhou mais do que manifestante frente à polícia, mas que em campo levantou uma taça e se mantém na briga por outras duas?

Desanimar não é opção. Retirar o apoio não é opção. Vaiar não é opção. Se somos Botafogo, devemos estender as mãos quando o time tropeçar, porque se esse esquadrão é o mesmo que se negou a entrar em crise quando não se poderia exigir o contrário, nós, torcedores, que dizemos amar, iremos nos acovardar?

Amanhã, quarta-feira, às 21h, temos um clássico no Maracanã. O adversário é um que já cansou de saber o que é ver a Estrela Solitária brilhando e afastando todas as nuvens em 2013. Os que podem têm, no mínimo, obrigação de ir ao Maracanã – e apoiar do início ao fim. Os que não podem ir têm o dever de contagiar toda a torcida, vestir a camisa, sair nas ruas e mostrar ao Brasil que estamos vivos. Que o Botafogo é e há de ser nosso imenso prazer. Amanhã e em todas as rodadas restantes. Retroceder e render-se, jamais!

Não me entrego sem lutar
Tenho, ainda, coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então.
(Legião Urbana - Metal Contra As Nuvens)

Vinícius Franco

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Inabalado!

Depois de muito tempo sem escrever nada neste espaço ─ graças à faculdade! ─, retorno para, após dois episódios um pouco preocupantes (para alguns), afirmar minha confiança nesse time: inabalada!

No último domingo, 25 de agosto, quando se encontrava na segunda colocação do Brasileirão, com 29 pontos, dependendo apenas de si próprio para voltar à liderança, o Botafogo foi até o Paraná enfrentar o Atlético Paranaense ─ no G4 ao fim da rodada ─ na Vila Capanema. Jogo complicado de forma anunciada, o adversário também briga pelas primeira posições do campeonato, e os anúncios se confirmaram na prática: derrota por 2 a 0. A quinta derrota do Glorioso no ano (!), a primeira por uma diferença de dois gols (!). Com o tropeço (?), o alvinegro ficou na segunda colocação, à qual desceu após a vitória do Cruzeiro no dia anterior.

As principais "coçadas de cabeça" causadas pela derrota, entretanto, vieram da forma pela qual o Botafogo perdeu a partida: o adversário a dominou completamente, tendo o alvinegro pouco esboçado qualquer reação. A Estrela Solitária estava completamente ofuscada na noite curitibana, mesmo com Seedorf em campo. Dia em que todos jogaram mal ─ menos Jefferson, que vive uma "boa fase" desde 2009. Fase?

Com a vitória soberana do adversário, um, até o momento, concorrente direto, alguns botafoguenses começaram a se preocupar... afinal, os traumas dos últimos anos vêm a tona diante de qualquer derrota incontestável em meio a uma boa fase do time. Preocupação injustificável, no entanto. É preciso pensarmos que pedimos há tempos um time com postura diferente, com mentalidade diversa daquela que os times dos traumáticos anos anteriores demonstravam. Cobrança justa, necessária, mas hipócrita se os próprios torcedores continuarem com uma mentalidade derrotista e excessivamente supersticiosa. Apesar de torcida significar preponderantemente paixão, e muito menos razão, é preciso analisar um pouco mais objetivamente os fatos: o Botafogo continua no G4 (ou, pra ser mais otimista, no G2), jogou fora de casa contra um forte adversário, vinha de uma belíssima vitória contra o campeão da Libertadores e tem um time que já demonstrou, por diversas vezes, não ter uma mentalidade fraca ─ não obstante os empates no apagar das luzes, que tomaram 6 pontos que agora fazem falta.

Desespero? Só mesmo com botafoguenses que podem ir ao Maracanã e dizem que vão somente se o time passar de fase na Copa do Brasil. Por favor, virem a casaca! O Botafogo não precisa de torcedor de vitória, e sim de botafoguense de coração.

Não há motivo tão grande para preocupações com o fato de Jefferson não poder enfrentar o São Paulo, na próxima rodada, devido ao terceiro amarelo: se estaremos com um importante desfalque, o adversário também estará ─ e pior, com dois ─: Luís Fabiano e Aloísio não estarão disponíveis. Renan, apesar de às vezes testar cardíaco, pode fazer um bom jogo, e teremos "na linha" nosso time completo. Exceto por...

Vitinho. Botafoguenses foram fortemente surpreendidos na noite de ontem, 26 de agosto de 2013, com a venda da jovem revelação Gloriosa. Estava eu tranquilamente olhando meu Facebook pelo celular, passando tediosamente pelas atualizações, quando, de repente, leio a notícia, acreditando, inicialmente, ser pegadinha... Mas aí clico no link do GloboEsporte, e vejo que não aparece o Sérgio Mallandro. Era verdade. A poucos dias do fim do fechamento da janela de transferências, o CSKA, da Rússia, desembolsará o equivalente a cerca de 31 milhões de reais para levar aquele que já era chamado de "melhor do que Neymar". Dos 31 milhões, cerca de 18 ficam com o Botafogo... "ficam", porque já há pedido de bloqueio da grana, para saldar as dívidas do clube. Duplamente trágico. Tão trágico assim?

Trágico, mas vamos com calma. É mesmo revoltante ver que a diretoria do Botafogo não pôde fazer muito diante do caso. Não pôde agora, mas não podia ter feito mais para prevenir? Podia. E agora, não restou alternativa. Perdemos um jovem craque, que vinha decidindo várias partidas. A bronca com a diretoria, portanto, é procedente. A perda de fé no time, que vi em vários botafoguenses, não. Precisarei pedir de novo para que virem a casaca?

Vale lembrarmos que antes da saída do Fellype Gabriel, Vitinho não era titular. Entrava vez ou outra, jogava bem e estressava também ("toca a bola!"), mas sem uma significativa presença nos jogos. Depois que o polivalente meia se foi, o jovem atacante assumiu a titularidade, e foi além: assumiu o posto de craque do time, por vezes ofuscando as boas partidas do maestro Seedorf. Caiu como uma luva no esquema de Oswaldo de Oliveira. Decidiu inúmeras partidas a nosso favor (adicionei "a nosso favor" porque me lembrei de André Bahia...). Fará falta? Fará. Mas o esquema se quebrará? O time cairá significativamente de produção? Não dá para afirmar nada com certeza, mas não há motivo para grande pessimismo. Ressalte-se, mais uma vez, que até pouco tempo atrás Vitinho era reserva, e o time funcionava muito bem. Sim, com outro grande jogador, Fellype. Mas por que outro jogador que execute a função tão bem quanto os dois citados não pode sair da reserva? Não é preciso procurar um novo Vitinho ou novo Fellype Gabriel entre os suplentes, até porque aqueles têm características diferentes, e puderam ajudar diferente e brilhantemente o time. Por que Elias, Alex, Sassá, Henrique, Bruno Mendes, Hiury ou outro não poderá, também, colaborar significativamente com o time? Poderá, mas o pessimismo de alguns não permite ver isto. Elias já mostrou inúmeras vezes o quanto é decisivo; Alex é um grande valor jovem de nossa equipe; Sassá é mestre em balançar as redes (alô, molambada!); Henrique ainda não mostrou o talento exibido na seleção brasileira sub-20, mas quem sabe tendo oportunidades?; Bruno Mendes pode voltar à fase de 2012, por que não?; Hiury chegou agora, não o conheço, mas, por que não? Botafoguense de coração ele é... (muito mais do que alguns torcedores pessimistas de carteirinha)

Portanto, Gloriosos pacientes que conseguiram ler qualquer-coisa até aqui, menos pessimismo, mais espírito de torcedor. A derrota para o Atlético Paranaense não abala o time em nada. Nem a saída de Vitinho. Este episódio pode ser até mesmo mais impactante, o substituto pode não desenvolver a função em campo tão rapidamente (mas pode também!), porém não há motivos para desespero. O Botafogo já perdeu jogos bobos no ano, já empatou outros revoltantemente, já perdeu importantes jogadores, mas o time continua brigando pela Copa do Brasil e pelas cabeças do Brasileiro.

Momentos ruins nós já vivemos, e já nos recuperamos... você vai parar de cantar e deixar o FOGO no peito se apagar? Eu não!

Para cima do Atlético Mineiro, lá em Minas, rumo à classificação! E para cima do São Paulo, no Maraca, no próximo domingo, rumo a mais uma vitória! #UnidosPelosTítulos

domingo, 6 de janeiro de 2013

O time ideal para 2013 e o que deve estrear no Carioca contra o Duque de Caxias

Nosso Glorioso, após algumas contratações e outras vendas, parece já ter seu elenco quase pronto para 2013 ─ ou ao menos para o Campeonato Carioca. Faltam só algumas definições, como alguns atletas que estão na lista de negociáveis ─ sobre os quais falarei brevemente no fim do texto ─ e outros que estão perto de assinar.

Dentre as peças já confirmadas, escalei o time fazendo um misto do que eu penso ser o ideal e do que o treinador Oswaldo de Oliveira já demonstrou ser o que prefere em 2012. Primeiro, a formação que deve se confirmar ao longo da temporada (caso o departamento médico e a Juventus de Turim permitam, se é que vocês me entendem).


Para o gol, obviamente, não há o que discutir: Jefferson, o melhor goleiro do Brasil, é nosso titular. 

Na lateral-direita, Lucas, que demonstrou ser um ótimo apoiador no ano passado, apesar de algumas pontuais falhas defensivas. Na esquerda, mesmo com bons (mas esporádicos) jogos de Lima no ano passado e com a chegada de Júlio César (ex-Grêmio), não acredito que Márcio Azevedo irá para a reserva. É um ótimo apoiador, cruza bem e, quando não tira um jogo para deixar uma avenida em seu lado, é um leão na marcação.

Na zaga, caso Dória ─ que está servindo a Seleção Brasileira Sub-20 ─ não seja negociado com a Juventus, sem dúvidas será titular, mesmo com a chegada de Rodrigo Defendi (ex-Vitória de Guimarães), que, creio, também não tirará a vaga do sólido (apesar de nem tanto) Antônio Carlos. A questão da entrada ou não de Defendi no time, na verdade, me parece uma incógnita, visto que o jogador passou por vários importantes clubes europeus como uma grande promessa, mas na última temporada estava no modesto Vitória de Guimarães, de Portugal. É preciso ver como entrará no time. Por enquanto, permaneço com os titulares do fim de 2012.

As maiores complicações para escalar o time, a meu ver, se encontrarão no meio, a começar pelos dois volantes. A briga é grande: Gabriel, Jadson, Lucas Zen, Marcelo Mattos, Renato e ainda Rodrigo Dantas e Fabiano, que correm (muito) por fora. Acredito que Jadson, que fez um ótimo 2012 ─ tanto que foi convocado para defender a Seleção Brasileira no Mundial Sub-20 ─ será titular, ao lado de Marcelo Mattos, caso suas condições físicas permitam. Renato também é um grande volante, mas terminou a última temporada num nível mais baixo do que se espera. Com isso, se Mattos se recuperar, deverá ganhar sua vaga. Se nenhum dos dois estiver bem, Gabriel, outra ótima revelação do ano que passou, é um ótimo candidato, porém muito jovem. Lucas Zen segue se recuperando de grave lesão.

A dificuldade de escalar o time permanece, e até mesmo aumenta, com os três meias de ligação. Ou pelo menos com dois deles, já que Seedorf, indubitavelmente, é titular. Fellype Gabriel não jogou tantas vezes em 2012 quanto se esperava, mas, quando entrou, fez o coração dos alvinegros bater mais rapidamente ─ acompanhado de sorrisos, e não de mãos arrancando os cabelos de raiva. É um dos favoritos de Oswaldo Oliveira e merece a titularidade. O problema de sacramentar sua vaga no onze inicial é que ainda há Andrezinho e Lodeiro. O uruguaio terminou o ano voando, à frente de Andrezinho, mas este já mostrou sua qualidade amiúde. Prefiro não sacramentar o dono da vaga de titular. Com as ótimas peças que temos para o meio-de-campo, a camisa com o escudo mais lindo do mundo estará muito bem defendida com quaisquer deles em campo.

Por fim, para o ataque, mesmo com as chegadas de Henrique (ex-Sport) e Anderson Aquino (ex-Coritiba), já que Oswaldo prefere jogar com um único homem avançado, ainda acho que Bruno Mendes é o indicado para colocar as bolas no fundo das redes adversárias.

No entanto, não é este o time que começará oficialmente a temporada, dia 20/01, contra o Duque de Caxias, às 19:30, no Engenhão. Dória, Jadson e Bruno Mendes estão servindo a Seleção Brasileira Sub-20,  além de Marcelo Mattos ainda ter sua situação física incerta.

Diante disso, resolvi escalar também o time que, ao que imagino, deverá estrear no Campeonato Carioca de 2013.



Diferentemente da equipe que considero a ideal para a temporada, no próximo dia 20 deveremos ter Rodrigo Defendi como titular na defesa ─ apesar de, como eu disse, o atual nível de seu futebol ainda ser uma incógnita, o que fará com que eu não me espante se André Bahia, outra interrogação, começar jogando. Na cabeça-de-área, creio que Renato e Gabriel serão as melhores opções. Já no ataque, acredito que Henrique, artilheiro e Bola de Ouro do último Mundial Sub-20, a priori, vencerá a disputa da vaga de titular com Anderson Aquino, outro bom atacante, proveniente do Coritiba.



POR QUE NÃO OUTROS?



Você pode estar se perguntando por que não citei nomes como Abreu, Elkeson, Brinner, Vítor Júnior, Jobson e Fábio Ferreira. A resposta é simples: alguns já se transferiram e outros ainda sairão. Já partiram na barca: Elkeson, para o Guanghzou Evergrande (China); Vítor Júnior, que volta de empréstimo para o Corinthians; e Brinner, emprestado ao Bahia. Já Abreu e Jobson estão perto de acertar com Nacional (Uruguai) e São Caetano, respectivamente. Fábio Ferreira, para o bem de todos e felicidade geral da nação alvinegra, pediu para ser liberado, mas ainda não está definido para onde vai.


Você pode ter se perguntado também por que eu nem citei Rafael Marques. Na verdade, se você se perguntou isso, peço-lhe uma coisa: deixa de torcer para o Botafogo. Mas, falando sério, mais uma feliz notícia recebida há pouco é que o... o... o... (ele joga de quê? ele joga?)... ele pode negociar sua ida para o Guarani. Que vá com todos os deuses possíveis.

Para finalizar este testamento, vale mencionar a vinda de André Bahia, zagueiro do Samsunspor (Turquia), perto de ser sacramentada. Creio que ele, porém, vem para ser reserva de Antônio Carlos e Dória, disputando a vaga de "primeiro suplente" com Rodrigo Defendi.


Vinícius Franco
botafoguense e colunista do Canal #Sports

domingo, 2 de dezembro de 2012

Empate no clássico é reflexo do ano; saídas, chegadas e permanências.

Admito que não pude assistir ao clássico de ontem entre Botafogo e seu maior rival dos últimos anos, o Fla. Só ouvi e depois vi os melhores momentos, mas ainda assim acho que posso falar um pouco sobre a partida.

Em muitos aspectos, a peleja de ontem refletiu o ano alvinegro ─ e, algumas vezes, o perene espírito botafoguense. O derby começou com a Estrela Solitária brilhando primeiro, com Sassá, que em 2012 mostrou ser um grande atacante das divisões de base do Glorioso e que merece mais chances no time titular há tempos, empurrando a pelota para dentro da meta adversária, demonstrando, mais uma vez, seu faro de gol. Aliás, "Sassalotelli" (como é apelidado, segundo a transmissão da Rádio Globo durante o jogo) é mestre em balançar redes rubronegras: em três jogos contra este adversário (dois deles na Taça OPG de juniores), nosso craque emergente fez quatro gols. Já terá muita gente tremendo ao ouvir seu nome na escalação... E, pra completar o déjà-vu do ano no primeiro gol, a assistência foi do gênio Clarence Seedorf, uma das maiores ─ quiçá a maior ─ alegrias de General Severiano nesta temporada.

Quando parecia que o Botafogo poderia ter um jogo tranquilo, eis que o ano, ou melhor, o espírito do clube, reaparece, lembrando-nos de que não torcemos para o Barcelona: empate, com a costumeira falha da nossa defesa ─ que já é vulnerável com suas principais peças, imagine com Fábio Ferreira e Brinner. Nixon, que renunciou à presidência estadunidense, mas não à irresistível chance de marcar dada pela defesa alvinegra, igualou o marcador. Intervalo, 1x1.

Na volta para o segundo tempo, nosso ídolo holandês precisou ser substituído devido a dores musculares. Vítor Júnior, o baladeiro bom de bola, pisou no relvado do Engenhão. A tristeza pela saída de Seedorf tornou-se alegria com seu substituto quando este marcou mais um tento alvinegro, após linda jogada do lateral Lima pela esquerda, deixando dois urubus depenados para trás. O Glorioso estava à frente no placar mais uma vez: 2x1. Comemoração e alívio ─ um infeliz temporário alívio.

Sem Jefferson, Lucas, Antônio Carlos, Dória, Márcio Azevedo e Elkeson, nosso herói de cada jogo não foi tão heroico assim: mais uma vez cedeu o empate, quando um dos poucos bons jogadores do adversário adiantou-se à marcação do zagueiro alvinegro Brinner ─ o que não é muito difícil ─ e nos abateu novamente. 2x2. Era o espírito do Botafogo no ano dando sua cara mais uma vez: o time pode sair na frente, pode superar um empate, mas a decepção virá; o onze é inconsistente, frágil e pouco aguerrido.

Para finalizar o reflexo do ano no jogo, o adversário ameaçou muito mais até o fim do jogo, criou inúmeras chances e não marcou, e pôde-se perceber pela enésima vez que o ditado "quem não faz, leva" só não se aplica a adversário do dono do escudo mais lindo do mundo.

Falando agora sobre as transferências em General Severiano, comentarei algumas poucas situações em meio aos inúmeros rumores: Oswaldo de Oliveira confirmou que as saídas de Rafael Marques, o "pirulito japonês" (by Zé Fogareiro), e Amaral, um dos piores volantes do alvinegro nos últimos anos, se concretizarão. Grandes reforços para o Glorioso em 2013.

Além disso, o treinador alvinegro, que certamente terá seu contrato renovado, disse que as situações de Fábio Ferreira e Vítor Júnior ainda são incertas. Eu até gostaria que o Vítor Júnior ficasse. O garoto é baladeiro, mas se sua conduta fora de campo for ajustada e não prejudicar seu desempenho como profissional, ele pode contribuir bastante, pois joga um bom futebol. O problema é que o custo para sua permanência seria alto, o que já me deixa em dúvidas se valeria a pena. Já sobre Fábio Ferreira... tem que sair, pra ontem. Péssimo zagueiro, nos deu inúmeras tristezas, decepções e nos deixou imersos na mais pura raiva em diversas ocasiões.

Por fim, parece que Elkeson permanecerá com a Estrela Solitária estampada no peito de seu uniforme ─ pelo menos por enquanto. O meia que virou atacante se transferiria para um clube chinês cujo nome não tenho como lembrar ─  e nem faço questão ─  mas o negócio melou, visto que a diretoria botafoguense não aceitou as condições de pagamento oferecidas. Elkeson, por mais que deixasse patente que não era atacante de origem e nos deixasse em desespero em algumas partidas, no todo  teve um bom desempenho. Pode, sem dúvidas, ser útil ao time se ficar, mas creio que melhor ainda seria a utilização do dinheiro de sua venda para trazer um real goleador, ou até mesmo para manter Bruno Mendes. Se ele ficar, bom. Se sair, ótimo se o dinheiro for bem gasto pela diretoria.

Entremos agora em mais de um mês de crise de abstinência de Botafogo. Ela poderá ser (mal) mitigada a partir do dia 5 de janeiro, quando o Glorioso estreia na Copa São Paulo de Futebol Júnior contra o Santo André. Até lá posto mais sobre a competição. Abraços, alvinegros.


Vinícius Franco
botafoguense e colunista do Canal #Sports

domingo, 18 de novembro de 2012

Faltou regularidade no espírito vencedor, mas o clube tem tudo para fazer um ótimo 2013

Acabou. Não o campeonato de fato, pois ainda faltam duas rodadas ─ e nelas é preciso lutar para conseguir a melhor posição possível na tabela ─ mas as esperanças do Botafogo em relação a seu maior sonho neste fim de Brasileirão 2012: classificação para a Libertadores. Com a vitória do São Paulo sobre o Náutico (2x1) e a derrota do Glorioso frente ao Sport (2x0), fora de casa, anula-se completamente a chance da Estrela Solitária brilhar na maior competição de clubes da América do Sul no ano que vem.

O Botafogo montou um time muito bom durante o ano, principalmente no meio-de-campo, mas, no geral, o time teve um espírito de perdedor que não fez jus às qualidades individuais do elenco. Sim, a meu ver, faltou maior qualidade por parte da comissão técnica ─ com óbvio destaque para o senhor Oswaldo de Oliveira ─ mas não isentemos de culpa a diretoria, posto que, após as saídas de Abreu, Herrera e Caio, só foi contratado um atacante eficiente com poucas rodadas para o fim do campeonato. Minha bronca, todavia, permanece maior sobre o treinador, que, mesmo em jogos nos quais tinha o brilhante Bruno Mendes em campo, mostrou seu pensamento perdedor ─ vide empate diante do Palmeiras (2x2), com grande gosto de derrota, e a incompetência frente ao Sport (0x2).

Pedir um novo treinador? É difícil. Quem viria para o lugar? Não sei. Diante dessa falta de resposta, fica mais difícil pedir a demissão de Oswaldo. Sim, acabei de o criticar, e continuo achando que o "professor" é merecedor das acusações. Contudo, o ano não foi de todo ruim. No Campeonato Carioca, embora tenhamos ficado com o vice de uma forma ridícula (com duas derrotas nas finais), só não fomos melhores que o time que sagrou-se campeão brasileiro. Ademais, o Glorioso, atualmente, é o sexto do campeonato, podendo terminar em 5º, o que mostra a continuidade da lenta evolução (bem lenta e com oscilações, mas evolução) do clube após a volta à Série A, em 2004 ─ desde então, a melhor posição do clube no Brasileirão foi a atual sexta colocação, em 2010 ─ visto que o clube vem brigando, em quase todos os anos, por uma vaga na Libertadores.

Destarte, apesar das decepções de 2012, nas quais Oswaldo de Oliveira teve culpa direta (mas não única), o trabalho não pode ser considerado tão ruim, e sim de regular para bom, o que pode evoluir ainda mais com a tal da continuidade, com a qual nós, brasileiros, estamos tão pouco habituados; e com esse time, dotado de ótimas peças. O elenco carece de alguns reforços, como na defesa e no ataque, mas o que mais posso esperar é que, tanto por parte de quem chega, quanto por parte de quem fica, o espírito vencedor esteja presente, mais do que em 2012.

O Botafogo "botafogueou" como tem feito em quase todos os anos deste século XXI, porém há visíveis evoluções, passíveis de crescimento ainda maior. Que a diretoria aja de forma Gloriosa em 2013. Não peço o fim das emoções e dos sofrimentos, pois jamais pedirei para deixar de ser botafoguense. Só peço a possibilidade de um largo sorriso ao fim de todo o calvário. "Yes, we can", já diria um certo campeão.

Vinícius Franco
botafoguense e colunista do Canal #Sports

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O que sinto nesta quarta-feira de Seleção Brasileira


Em dia de jogo desta Seleção Brasileira, que não desperta nada no coração, na alma, só me resta sentir saudades do meu Glorioso, que, nesse final de campeonato, só vai a campo de 6 em 6 ou 7 em 7 dias; da minha Estrela Solitária, que, cadente ou avultosa, sempre desperta paixão, amor, religião (sem fundamentalismo); que faz aumentar ainda mais todo esse sentimento que, por mais argumentado que seja, é inexplicável em sua integralidade, por mais que os brilhantes Nelson Rodrigues ─ tricolor ─ e Mário Filho se esforçassem:

"Todos os torcedores de futebol se parecem entre si como soldadinhos de chumbo. Têm o mesmo comportamento e xingam, com a mesma exuberância e os mesmos nomes feios, o juiz, os bandeirinhas, os adversários e os jogadores do próprio time. Há, porém, um torcedor, entre tantos, entre todos, que não se parece com ninguém e que apresenta uma forte, crespa e irresistível personalidade. Ponham uma barba postiça num torcedor do Botafogo, dêem-lhe óculos escuros, raspem-lhe as impressões digitais e, ainda assim, ele será inconfundível." (Nelson Rodrigues)

"Ser Botafogo é escolher um destino e dedicar-se a ele. Não se pode ser Botafogo como se é outro clube: você tem que ser de corpo e alma." (Mário Filho)
[ler o incrível texto completo de Mário Filho]

Vinícius Franco
botafoguense e colunista do Canal #Sports

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Dória (por enquanto) fica; Alex e Caio podem voltar; novela Grafite volta a ser esboçada; e Beckham valeria a pena?

Segundo o site FutNet, o presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, rejeitou uma proposta da Juventus (ITA) de 4,5 milhões de euros por nosso jovem zagueiro Dória. Segundo Assumpção, "por essa proposta (...) ele não sai".

A meu ver, é uma atitude correta. Dória tem só 18 anos, é prata-da-casa (com hífen ou sem hífen?) e vem mostrando um grande potencial nos últimos jogos ─ muito, mas muito, superior ao Fábio Ferreira. É preciso segurá-lo. O garoto pode dar colaborações ao time que não se conseguiria com outra contratação para a posição ─ como já se pôde perceber com a já mencionada calopsita, com Brinner e... só, a gente quase não tem zagueiros na reserva. Ademais, mesmo que seja pensando em lucros futuros, daqui a um tempo ele deverá poder ser vendido por um preço bem mais alto. Todavia, prefiro pensar só no ídolo que ele pode se tornar no Glorioso, permanecendo no clube por muito tempo.

Além disso, na mesma notícia, Maurício Assumpção afirma que é possível que Alex (jogando em algum milionário e pífio clube do "mundo árabe") e Caio (emprestado ao rebaixado Figueirense) sejam reintegrados, caso não haja boas propostas de compra.

Vejo os possíveis retornos de Alex e Caio como positivos. Os atacantes, ambos de 22 anos, já adquiriram experiência suficiente em suas passagens por outros clubes e podem contribuir positivamente para o time, que carece de bons jogadores da posição para a reserva. Ainda que o jovem craque Bruno Mendes continue e o ídolo Loco Abreu retorne, seguindo a máxima de que "para ser campeão, um time precisa ter bons reservas", seria importante contar com aqueles. Sobre Rafael Marques... não merece comentários.

E por falar em ataque, renascem os rumores de que Grafite, 33 anos, outro que está embolsando uma grana no "mundo árabe", pode estar na pauta do Botafogo para 2013. Também poderia ser um ótimo reforço, mas é preciso analisar como ele vem jogando, ter cautela, principalmente se Abreu for reintegrado.

E por falar em rumores, após Carlos Alberto Torres revelar que Beckham poderia vir para o Glorioso se as negociações com Seedorf não tivessem dado certo, andam dizendo (assim mesmo, sem fontes seguras, ao que parece) que o meia inglês ainda pode aparecer em General Severiano. Sinceramente? Creio que não valha a pena. O marketing do clube riria à toa, mas o futebol eu já não sei, menos ainda as finanças. Posso estar errado, mas seria muito dinheiro em troca de pouco futebol. Estamos com um meio-de-campo muito bom. Que sejam mantidas as preciosas peças, ou ainda que chegue uma ou outra novidade, mas sem meter os pés pelas mãos. Não há necessidade.

Até mais, Gloriosos. Comentem.


Vinícius Franco
botafoguense e colunista do Canal #Sports

domingo, 12 de agosto de 2012

Botafogo no Campeonato Brasileiro de 1987

BotafogoO Campeonato Brasileiro de 1987 foi um dos mais controversos da história. Até hoje não se chegou a uma clara definição sobre quem conquistou o título daquele ano: Flamengo, campeão do módulo verde, ou Sport, campeão do módulo amarelo. Além da campanha e da participação do Botafogo, que disputou o módulo verde, cabe uma breve explicação sobre a confusão ocorrida naquele ano entre a CBF e o Clube dos 13.

Conforme a explicação dada pelo comentarista Paulo Vinícius Coelho, toda a confusão começou ainda em 1986. Até aquele ano, os campeonatos estaduais eram classificatórios para o Brasileiro. Naquele ano a CBF prometeu mudar o sistema e criar, para 1987, a Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro. Os 24 melhores de 1986 formariam a Série A do ano seguinte. Entretanto, ao término do campeonato, a CBF mudou de ideia. Primeiro, afirmou que não tinha condições financeiras de promover a competição. Foi quando os grandes se rebelaram e fizeram o movimento que criou o Clube dos 13. Os fundadores (Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Grêmio, Internacional, Atlético-MG, Cruzeiro e Bahia) anunciaram que disputariam um campeonato próprio, organizado por eles mesmos.

A CBF, então, se mobilizou e anunciou que faria o campeonato com 40 clubes. Os grandes fizeram uma composição com a CBF, mas criaram a Copa União, com a participação, também, de Santa Cruz, Goiás e Coritiba, completando 16 equipes. A CBF criou o regulamento, que previa o cruzamento de campeão e vice do Módulo Verde (Copa União) com campeão e vice do Módulo Amarelo (a suposta Segunda Divisão). O Clube dos 13 dizia que não disputaria o cruzamento; a CBF dizia que haveria o cruzamento. Essa confusão se deu porque o representante do Clube dos 13 na CBF era Eurico Miranda. Eurico aceitou o acordo com a CBF, mas, quando informou à direção do Clube dos 13, este recusou veementemente. O campeonato começou com a CBF dizendo que haveria o cruzamento e o Clube dos 13 dizendo que não aceitava e que não disputaria.

Nesse ínterim, o Brasil inteiro assistiu à Copa União como sendo o Campeonato Brasileiro, sem dar muita atenção ao que aconteceria no final do ano. A TV Globo transmitia para o Brasil inteiro um jogo por rodada sorteado quinze minutos antes da partida começar, às 17h do domingo. Pernambuco também vivia assim, porque acompanhava o Santa Cruz no campeonato.

E assim o Flamengo venceu a Copa União em decisão diante do Internacional. No mesmo dia, o presidente do Flamengo, Márcio Braga, um dos líderes da criação do Clube dos 13, reafirmou que não haveria cruzamento.
Enquanto isso, no mesmo dia, Guarani e Sport se classificaram para a decisão do Módulo Amarelo, decidido nos pênaltis. O empate persistiu tanto que, ao chegar aos 11x11, nas cobranças de pênalti, os dois presidentes decidiram que o torneio terminaria empatado. Sport e Guarani foram proclamados campeões empatados do Módulo Amarelo pela CBF. Tinham a perspectiva de disputar o cruzamento com Inter e Flamengo.

No início de 1988, a CBF fez a tabela. Sport e Guarani entravam em campo nas partidas marcadas contra Inter e Flamengo. Sem adversário, eram proclamados vencedores por W.O. Na decisão do “Campeonato Brasileiro”, de acordo com a CBF, o Sport enfrentou o Guarani, empatou o jogo de ida por 1x1, em Campinas, venceu em casa por 1x0. A CBF proclamou o Sport campeão brasileiro de 1987. Contudo, até hoje muitos consideram o Flamengo como legítimo campeão, enquanto outros consideram o Sport.

Botafogo em 1987
Acima, foto do Botafogo em 1987. Em pé: Luiz Carlos, Josimar, Wilson Gottardo, Marinho e Renato; agachados: Mazolinha, Derval, Luisinho, Fernando Macaé, Carlos Magno e Berg (foto: http://portoroberto.blog.uol.com.br)

Quanto à participação do Glorioso Alvinegro, conforme dissemos, no Módulo Verde, dentre as 16 equipes o clube carioca terminou em 9º lugar. Os clubes foram divididos em dois grupos e, com as os clubes de um grupo enfrentando os do outro no 1º turno e jogando dentro do próprio grupo no 2º turno. Os campeões de cada grupo em cada turno se classificaram para as semifinais. No 1º turno o Botafogo foi o 4º colocado no Grupo A, mesma colocação obtida no 2º turno. Assim, o Botafogo mais uma vez ficava fora das fases decisivas do Campeonato Brasileiro.

Após ter disputado 15 jogos ao longo do campeonato, o Botafogo venceu quatro, empatou sete e perdeu quatro, marcando onze gols e sofrendo nove. A última partida da equipe no campeonato aconteceu em 21 de novembro de 1987, no Maracanã, que terminou empatada em 2x2. De Lima e Berg marcaram os gols do Botafogo, que entrou em campo escalado pelo técnico Zé Carlos Paulista com a seguinte formação: Jorge Lourenço; Josimar, Wilson Gottardo, Mongol e Vágner; Luizinho (Carlos Magno), Carlos Alberto Santos e Berg; Mazolinha, Jefferson Gaúcho e Maurício (De Lima). Veja abaixo toda a campanha do Botafogo no Campeonato Brasileiro de 1987.

1º Turno
12/09, Botafogo 1x0 Goiás
19/09, Fluminense 1x1 Botafogo
24/09, Botafogo 0x0 Internacional
27/09, Cruzeiro 1x1 Botafogo
01/10, Vasco 1x0 Botafogo
07/10, Botafogo 0x0 Santos
12/10, São Paulo 0x2 Botafogo
18/10, Coritiba 1x1 Botafogo

2º Turno
24/10, Flamengo 1x0 Botafogo
28/10, Botafogo 0x0 Atlético-MG
02/11, Grêmio 0x2 Botafogo
07/11, Botafogo 1x0 Corinthians
11/11, Santa Cruz 1x0 Botafogo
14/11, Palmeiras 1x0 Botafogo
21/11, Botafogo 2x2 Bahia

Referências: RSSSF Brasil e Futpedia

domingo, 5 de agosto de 2012

Botafogo no Campeonato Brasileiro de 1986

O ano de 1986 seria mais um de péssimas recordações para os alvinegros. A campanha ruim da equipe, com apensa seis vitórias em 26 partidas foi suficiente para nada mais do que um pífio 31º lugar na principal competição nacional, ficando o Glorioso eliminado ainda na segunda fase.

Participaram do Campeonato Brasileiro de 1986 um total de 48 clubes, sendo que quatro deles vieram do Torneio Paralelo, que funcionou como uma espécie de 2ª divisão naquele ano. As equipes foram divididas em quatro grupos na 1ª fase, dos quais sete de cada se classificaram para a fase seguinte. Junto as 28 equipes classificadas aos campeões dos grupos do Torneio Paralelo, tinha-se os 32 clubes que disputariam a 2ª fase. Devido a várias confusões e disputas na Justiça, envolvendo clubes como Joinville, Vasco e Portuguesa, a CBF acabou colocando 36 clubes na 2ª fase, que foram divididos em quatro grupos. Os quatro melhores de cada um avançaram para as oitavas-de-final e, daí em diante, em fases eliminatórias até a decisão, que se deu entre São Paulo e Guarani, culminando no segundo título nacional da equipe tricolor.

Alemão
Acima, foto do jogador Alemão, um dos poucos destaques do Botafogo no Campeonato Brasileiro de 1986 (foto: http://datafogo.blogspot.com.br).

Na 1ª fase o Botafogo ficou apenas na 7ª colocação dentre as onze equipes D, o que, ainda assim, lhe garantiu vaga na 2ª fase. Agora, num grupo com nove equipes, o alvinegro carioca fez uma campanha ainda pior do que na fase anterior, terminando apenas em 8º lugar, chegando a perder seis partidas consecutivas.

Após ter disputado 26 jogos campeonato daquele ano, o Botafogo foi eliminado com seis vitórias, dez empates e dez derrotas, marcando 21 gols e sofrendo 28. A última partida, onde o Botafogo não mais tinha chances de classificação, foi diante do Palmeiras, em jogo realizado já em janeiro de 1987. Naquele dia, no Maracanã, o Botafogo venceu por 1x0 e foi dirigido pelo técnico Joel Martins, que colocou em campo com a seguinte formação: Luís Carlos; Josimar, Zé Luís, Osvaldo, Zé Roberto, Rogério, Isaac, Derval, Fernando Macaé, Maurício e Antônio Carlos. Veja abaixo toda a campanha do Botafogo no Campeonato Brasileiro de 1986.

1ª Fase
31/08, Comercial-MS 1x1 Botafogo
06/09, Botafogo 2x0 Fortaleza
10/09, Botafogo 0x0 Nacional-AM
13/09, Vitória 0x0 Botafogo
18/09, Botafogo 2x1 Alecrim
24/09, CSA 1x1 Botafogo
30/09, Palmeiras 2x0 Botafogo
02/10, Portuguesa 2x1 Botafogo
05/10, Botafogo 2x4 Atlético-MG
07/10, Botafogo 2x0 Santa Cruz

2ª Fase
22/10, Botafogo 1x1 Joinville
25/10, Botafogo 2x0 Treze
29/10, Bangu 1x0 Botafogo
06/11, Ponte Preta 1x0 Botafogo
09/11, Palmeiras 3x2 Botafogo
12/11, América-RJ 2x1 Botafogo
16/11, Botafogo 2x3 Santos
20/11, São Paulo 5x0 Botafogo
23/11, Treze 0x1 Botafogo
26/11, Botafogo 0x0 Ponte Preta
30/11, Santos 0x0 Botafogo
04/12, Botafogo 0x0 América-RJ
07/12, Botafogo 0x0 São Paulo
10/12, Joinville 1x0 Botafogo
13/12, Botafogo 0x0 Bangu
29/01/87, Botafogo 1x0 Palmeiras

Referências: RSSSF Brasil e Futpedia

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Botafogo no Campeonato Brasileiro de 1985

BotafogoA década de 1980 parecia mesmo não ser a do Botafogo, tendo tido, até então, somente uma boa campanha, quando foi semifinalista em 1981. E o Campeonato Brasileiro de 1985 também não foi nada animador para a torcida alvinegra. O Botafogo foi eliminado ainda na primeira fase e terminou o campeonato na 24ª colocação entre os 44 participantes.

O Campeonato Brasileiro de 1985, conforme dito acima, teve a participação de 44 clubes. O regulamento mudou neste ano, ficando as equipes divididas em quatro grupos: os grupos A e B com 10 equipes cada, teoricamente as equipes mais forte; os grupos C e D com 12 equipes cada, teoricamente as equipes de pior colocação no ranking da CBF. No entanto, a quantidade de clubes classificados de cada grupo era a mesma, com quatro de cada passando para a 2ª fase, onde estas 126 equipes foram divididas em quatro grupos. O líder de cada grupo classificava-se para a fase semifinal e os vencedores foram para a decisão. Assim, o Coritiba terminou com o título numa final “exótica” diante do Bangu, conquistando seu primeiro título nacional.

Botafogo em 1983
Acima, foto do Botafogo no Maracanã em 1985 (fonte: http://voudekombi.blogspot.com.br).

O Botafogo terminou apenas na sexta colocação no Grupo A na 1ª fase, não tendo sido o campeão do grupo em nenhum dos dois turnos e, assim, não conseguiu classificar-se para a fase seguinte. No 1º turno o alvinegro carioca terminou na 5ª colocação do grupo e, no 2º turno, terminou em 4º lugar. O Glorioso ficou, portanto, fora do grupo de 16 equipes classificadas para a 2ª fase do Campeonato Brasileiro daquele ano e, novamente, adiando o sonho da conquista do título da competição.

Após ter disputado 20 jogos ao longo do campeonato, o Botafogo foi eliminado com nove vitórias, dois empates e nove derrotas, marcando 26 gols e sofrendo 36. Na última partida do campeonato, já sem chances de classificação, o Botafogo derrotou a Portuguesa por 2x1 no Maracanã, com gols marcados por Helinho e Renato. Naquele dia o alvinegro entrou em campo com a seguinte formação: Luís Carlos; Josimar, Leiz, Brasília e Vágner; Berg, Alemão e Ademir Fonseca (Ataíde); Renato, Helinho e Antônio Carlos (Cláudio). No comando da equipe estava o técnico Abel Braga. Veja abaixo toda a campanha do Botafogo no Campeonato Brasileiro de 1985.

1ª Fase - 1º Turno
27/01, Botafogo 3x1 Goiás
31/01, Botafogo 1x1 Bahia
03/02, Internacional 2x0 Botafogo
06/02, São Paulo 3x1 Botafogo
10/02, Botafogo 2x1 Flamengo
13/02, Santos 2x2 Botafogo
23/02, Botafogo 0x2 Náutico
27/02, Botafogo 1x3 Cruzeiro
03/03, Vasco 1x3 Botafogo
06/03, Portuguesa 0x1 Botafogo

1ª Fase - 2º Turno
09/03, Goiás 4x1 Botafogo
13/03, Bahia 2x0 Botafogo
16/03, Botafogo 1x0 Internacional
20/03, Botafogo 3x1 São Paulo
24/03, Flamengo 6x1 Botafogo
27/03, Botafogo 1x0 Santos
30/03, Náutico 1x2 Botafogo
07/04, Cruzeiro 3x0 Botafogo
10/04, Botafogo 1x2 Vasco
13/04, Botafogo 2x1 Portuguesa

Referências: RSSSF Brasil e Futpedia

sábado, 28 de julho de 2012

Enfim uma nova vitória, mas sem convencer

Após 4 jogos sem vencer, sendo 3 sem balançar a rede adversária, enfim o Glorioso, que não pode perder pra ninguém, volta somar três pontos na tabela do Brasileirão. No terceiro jogo do grande craque Clarence Seedorf, o holandês vê, de dentro do campo, um gol da Estrela Solitária.

Os últimos quatro jogos do Botafogo foram, sem dúvidas, marcados por graves erros da defesa e pelo fraco poder ofensivo da equipe. Mesmo quando os alvinegros criavam boas jogadas, o ataque, com Elkeson e/ou Rafael Marques, não aproveitava. O time que, no início, chegou a ter o melhor ataque no campeonato, agora era um dos mais inócuos.

Tal situação não mudou nem mesmo com a chegada de Seedorf, que começou tímido mas desde o início com boas participações. Boas, não milagrosas ─ ele não pode jogar sozinho. As atuações do holandês foram melhorando, mas nosso ataque não aproveitava.

Hoje, contra o Figueirense, no Engenhão, o novo ídolo da torcida mais Gloriosa do mundo mostrou que seu desempenho com a camisa mais Gloriosa do mundo só melhora ─ e impressiona. "Sidão" é um grande craque, uma peça valiosíssima no meio-de-campo, possui uma técnica muito superior à dos outros (do campeonato) e é um grande líder ─ como demonstrou até no fim do jogo, quando reuniu o time para que todos agradecessem à torcida (que compareceu em pequeno número) e saíssem juntos.

A atuação de Seedorf, no entanto, destoou do time como um todo, que continuou inócuo, vulnerável, sem alma, sedento por melhorias em inúmeros aspectos. O gol foi marcado num chute de Andrezinho de fora da área, que desviou num zagueiro adversário e matou o goleiro. Fora isso, o time criou mais algumas chances, especialmente com o craque holandês e com Márcio Azevedo ─ que, ao contrário de grande parte do time, também melhora a cada partida. E sofreu algumas pressões do fraquíssimo Figueirense.

É preciso melhorar muito para realmente poder brigar por algo grande. Seedorf é um craque, Jefferson é o melhor goleiro do Brasil, Andrezinho é muito bom, Márcio Azevedo é um ótimo lateral, Renato também joga demais, mas não é o suficiente. A defesa ainda é fraca e o ataque, com o improvisado Elkeson e o ainda nulo Rafael Marques, não vai bem. É difícil contratar grandes nomes agora, uma vez que a janela de contratações internacionais fechou ─ todavia, vale lembrar que o meia Lodeiro ainda se apresentará. Oswaldo terá que quebrar muito a cabeça.

Além disso, é preciso destacar as defesas salvadoras de Jefferson após vacilos absurdos de Fábio Ferreira; Brinner, que veio da reserva (Antônio Carlos suspenso) e foi eficiente em lances importantes; e o anencéfalo Vítor Júnior, que foi expulso após infantilmente meter a mão na bola para evitar um contra-ataque e levar o segundo amarelo ─ merece ser multado.

A próxima partida do Glorioso será o jogo de ida da segunda fase da Copa Sul-Americana, dia 1º de agosto, na Arena Barueri (SP), contra o Palmeiras.


Vinícius Franco
botafoguense e colunista do Canal #Sports
Twitter: @franconio

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Botafogo no Campeonato Brasileiro de 1984

Pelo terceiro ano consecutivo o Botafogo fazia praticamente a mesma campanha no Campeonato Brasileiro. Assim como nas duas edições anteriores, em 1984 o Botafogo novamente foi mal e terminou eliminado ainda na 2ª fase da competição. Mais uma vez fora das fases eliminatórias, o sonho da conquista do título nacional era adiado por mais um ano.

Do Campeonato Brasileiro de 1984 participaram 41 clubes de todo o Brasil, sendo divididos em oito grupos na 1ª fase. Classificaram-se os três melhores de cada e os quartos colocados teriam que disputar a repescagem para tentar conquistar as últimas vagas na fase seguinte. No total, 32 equipes se classificaram para a 2ª fase e foram divididas em oito grupos de quatro equipes. As duas melhores de cada grupo garantiram vaga nas oitavas-de-final, seguindo o campeonato em fases eliminatórias até decisão, que teve, pela primeira vez, um clássico carioca: Fluminense x Vasco. A equipe tricolor levou a melhor e conquistou o título brasileiro daquele ano, sendo o terceiro título seguido para um clube do Rio de Janeiro no Campeonato Brasileiro.

Botafogo em 1984
Acima, foto do Botafogo no Maracanã em 1984, com elenco já posterior ao do Campeonato Brasileiro daquele ano (fonte: http://bandeirasbotafoguenses.blogspot.com.br).

Na 1ª fase do campeonato o Botafogo ficou em 2º lugar no Grupo H, atrás apenas do Santa Cruz, garantindo a classificação para a fase seguinte. Na 2ª fase os adversários do alvinegro carioca foram Coritiba, América-RJ e Operário-MT. O Botafogo chegou à última rodada ainda com chances de classificação mas foi derrotado de forma patética pelo fraco Operário em casa por 1x0, sendo novamente eliminado nesta fase, assim como em 1982 e 1983, e ficando de fora das oitavas-de-final. Caso tivesse vencido, teria obtido a classificação.

Após ter disputado somente 14 partidas ao longo do campeonato, o Botafogo foi eliminado com cinco vitórias, cinco empates e quatro derrotas, marcando 14 gols e sofrendo 11. No último confronto do campeonato, na já mencionada derrota ridícula por 1x0 para o Operário-MT, em jogo disputado no Estádio de São Januário, o Botafogo entrou em campo com a seguinte escalação: Paulo Sérgio; Josimar, Caxias, Cristiano e Paulo César Prates; Nininho (Cláudio), Demétrio e Berg; Cláudio Adão, Djalma Bahia e Té. O técnico da equipe era Didi. Veja abaixo toda a campanha do Botafogo no Campeonato Brasileiro de 1984.

1ª Fase
01/02, Portuguesa 0x1 Botafogo
05/02, Botafogo 0x1 Santa Cruz
09/02, Botafogo 2x0 Auto Esporte-PI
12/02, Moto Club 1x1 Botafogo
15/02, Auto Esporte-PI 1x2 Botafogo
22/02, Botafogo 0x1 Moto Club
25/02, Botafogo 0x0 Portuguesa
29/02, Santa Cruz 1x2 Botafogo

2ª Fase
11/03, Operário-MT 1x1 Botafogo
15/03, Botafogo 3x1 Coritiba
18/03, Botafogo 0x0 América-RJ
21/03, Coritiba 1x1 Botafogo
24/03, América-RJ 2x1 Botafogo
01/04, Botafogo 0x1 Operário-MT

Referências: RSSSF Brasil e Futpedia